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Métodos de deteção da SARS-CoV-2 onde, quando e como?

Que tipo de testes para deteção da Covid-19 existem atualmente? Quando, onde e como os devemos fazer?

Um artigo de opinião pelos Docentes de Ciências Biomédicas Laboratoriais: Diana Martins e Fernando Mendes; e pelos Licenciados em Ciências Biomédicas Laboratoriais: Carolina Melo e Rúben Nunes. 


A prevenção da doença e a promoção da saúde sempre se caracterizaram como baluartes da Saúde Pública, tomando proporções ainda mais significativas com o surgimento da pandemia global causada pela SARS-CoV-2.
Desta forma, medidas sociais e de saúde pública têm vindo a ser implementadas globalmente para mitigar a transmissão do SARS-CoV-2, assim como reduzir a mortalidade e morbilidade associadas à COVID-19.
Tais medidas envolvem em determinado momento, a realização massiva de testes de despiste e de diagnóstico, por forma a garantir a rastreabilidade dos casos, limitando o crescimento das cadeias de transmissão.
Assim sendo, importa perceber e diferenciar os testes disponíveis, bem como a sua aplicabilidade no contexto desta pandemia.
 
À luz do conhecimento atual, o método de referência para o diagnóstico e deteção da SARS-CoV-2 são os testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN).
Através da reverse transcription polymerase chain reaction (RT-PCR), uma técnica de biologia molecular, é possível a extração e amplificação dos ácidos nucleicos do vírus (RNA), permitindo a deteção de genes específicos do vírus, tais como (N; E; S ou RdRp), revelando uma sensibilidade e especificidade elevada, o que permite uma taxa de falsos positivos e falsos negativos relativamente baixa, quando a fase pré-analítica, leia-se a colheita (zaragatoa) orofaríngea e/ou nasofaringe é realizada corretamente.
Este teste apresenta resultados mais confiáveis nos primeiros setes dias da doença.
 
Com a introdução dos testes rápidos de deteção antigénica (TRDAg), a colheita de zaragatoa deixou de ser exclusivo do diagnóstico por RT-PCR, tomando agora uma dimensão comum aos testes imunocromatográficos de deteção antigénica.
A diferença entre ambos reside não só no método utilizado para a sua deteção, bem como no que pretende detetar.
O teste de RT-PCR destina-se à deteção do material genético do vírus, através de uma metodologia complexa e morosa (4h a 6h) enquanto o teste de deteção antigénica torna-se mais simples e rápido na sua execução (15min), detetando antigénios do vírus. 
A sua metodologia baseada na identificação das proteínas estruturais do vírus (antigénios), através de um método simples de ensaio de fluxo lateral de princípio idêntico aos testes rápidos utilizados na gravidez, permitindo a obtenção de um resultado visual qualitativo.
Em contrapartida, é expectável uma taxa de falsos negativos superior comparativamente ao RT-PCR, derivado à sua menor sensibilidade.
 
Os populares testes serológicos têm um papel importante na determinação da cinética dos anticorpos que surgem após o contacto com SARS-CoV-2, permitindo caracterizar a imunidade de uma população.
Estes testes serológicos erradamente utilizados como despiste ao SARS-CoV-2, não permitem identificar a presença direta do vírus, mas sim se existiu ou não um contacto prévio com o vírus.
A sua sensibilidade varia de acordo com o número de dias após o começo dos primeiros sintomas.
Desta forma, não sendo um valor absoluto, a sua especificidade é baixa, por via das reações cruzadas, contribuindo para o aumento da taxa de falsos positivos.
 
A janela de deteção associada aos antigénios SARS-CoV-2 e a resposta do sistema imune (anticorpos) decorrem em tempos distintos.  
Para o antigénio, a janela de deteção é semelhante aos testes convencionais de testes moleculares de amplificação de ácidos nucleicos (PCR).  
A deteção de antigénios do SARS-CoV-2 ocorre nos 2 a 3 dias que antecedem o desenvolvimento dos sintomas, com o seu pico no dia anterior ao surgimento dos sinais e sintomas.
Os testes rápidos de deteção antigénica tornam-se menos confiáveis com a evolução da infeção, à medida que o sistema imunológico começa a eliminar o vírus e este migra para as vias respiratórias inferiores (tornando os esfregaços da orofaringe menos eficazes).
 
Em suma, no que respeita à deteção do SARS-CoV-2, todos os testes se revelam de interesse público, salientando, no entanto, que a sua aplicabilidade deverá ser ponderada e ajustada a cada situação e momento da infeção.
Demonstrada a boa especificidade dos testes antigénicos poderemos utilizá-los como um teste de rastreio uma vez que os resultados positivos serão considerados como verdadeiros.  Todavia os falsos negativos pela sua baixa sensibilidade deverão ser confirmados pelo método RT-PCR, permitindo a diminuição de recursos e tempo, mostrando-se um ótimo meio de despiste para rastrear a população assintomática.
 
Numa altura em que a ciência e a medicina são sistematicamente colocadas em causa, deparamo-nos com a necessidade de argumentar ciência e clarificar a utilidade de testar no âmbito da pandemia por SARS-CoV-2.  
É importante salientar que todas as fases envolvidas desde a colheita, análise e emissão do resultado são cruciais no diagnóstico laboratorial nesta infeção.
Daí a necessidade de garantirmos que todas os momentos da cadeia de diagnostico laboratorial seja realizada por profissionais com conhecimentos competências e aptidões para este desígnio, e quem melhor que os Técnicos de Análises Clínicas e Saúde Publica?

 

Pelos autores (da esquerda para a direita de acordo com a foto do artigo):

Carolina Melo (Licenciada em Ciências Biomédicas Laboratoriais)

Rúben Nunes (Licenciado em Ciências Biomédicas Laboratoriais)

Fernando Mendes (Docente de Ciências Biomédicas Laboratoriais)

Diana Martins (Docente de Ciências Biomédicas Laboratoriais)

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