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Outubro Rosa - O Cancro da Mama na Primeira Pessoa

Artigo de Opinião de Paula Agapito


Sou TSDT na área de Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica desde 1983.
Diferenciei-me em Citopatologia desde os anos noventa, inclusive sou Fellow da Academia Internacional de Citologia (CFIAC), entre outros títulos e várias formações ao longo da vida, muitas delas no estrangeiro.
Ainda nos anos noventa, iniciei com uma Patologista, o apoio à punção aspirativa por agulha fina, no geral, na mama em particular.
Deslocávamo-nos em dias marcados ao Serviço de Imagiologia, fazendo parte de um grupo multidisciplinar constituído por um médico Radiologsta, um médico Patologista, um TSDT de Radiologia e um TSDT de Anatomia Patológica.
As doentes eram mulheres com patologia mamária. Ao longo de vários anos assisti a muitos casos, alguns dramáticos. Cheguei a temer vir a sofrer um dia de tal patologia!
Mas esse dia chegou e eu estava alerta para todos os sinais! Os conhecimentos que fui absorvendo estavam agora ali!
Numa manhã, após o banho, vi uma pequena retração na mama esquerda, semelhante a uma estria!
Fiz o auto exame, não notei nenhum nódulo!
Durante um mês tentei apagar esta imagem da memória, mas no inconsciente, estava alerta!
Era agosto e em finais de setembro estava inscrita num congresso europeu em Veneza e em inícios de novembro era convidada pela Associação dos Técnicos de Anatomia Patológica (APTAP) para fazer uma comunicação em Tomar durante o congresso.
Mesmo na véspera de viajar para Itália, comecei a ficar obcecada e numa noite após o auto exame descobri o nódulo.
Era imóvel!
Não doía!
Só podia ser cancro!!!
De regresso consultei a minha ginecologista, e fiz os meus exames imagiológicos (mamografia e ecografia mamária, com citologia e biópsia).
No dia 13 de outubro de 2006 a uma sexta feira veio o resultado da biópsia: Carcinoma Ductal Invasivo.
Não fiquei surpreendida.
Os sinais estavam lá!
Após um mês decorreu a cirurgia, a 16 de novembro. Ainda me deu tempo de ir a Tomar falar para uma sala cheia com o tema “Ser Citotécnico em Portugal”. E eu ali com cancro da mama...
Chegou o dia da cirurgia, fiz mastectomia subcutânea e esvaziamento axilar, pois o gânglio sentinela era positivo. Entretanto fiz oito sessões de quimioterapia.
Sempre fui vaidosa, nunca descuidei o visual, gostei sempre de mim. Não posso deixar de referir que a família esteve sempre presente.
Um mês após ter terminado os tratamentos, iniciei o ginásio e no final de 2007 comecei a dançar e a aprender golfe.
Mais tarde fiz a reconstrução mamária.
Hoje após 15 anos, sou considerada uma sobrevivente do cancro; acrescentei ao que designo como atividades extra curriculares, a música e voltei a pintar.

Desde 2014, sou Assistente Convidada da ESTES Coimbra e a mensagem que tento passar aos jovens que ensino é a de que nada nos deve desviar dos nossos objetivos, mesmo quando nos deparamos com adversidades, sejam elas de saúde ou de qualquer outra índole.
Sou assumidamente uma mulher de causas e vou estar sempre aqui a apoiar todas as mulheres que estão a passar pelo mesmo.

O cancro da mama não tem de ser o fim. Há que lutar sempre, com garra e determinação e nunca desistir!

 

Paula Agapito

STSS

Sindicato dos Técnicos Superiores de Saúde nas Áreas de Diagnóstico e Terapêutica
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