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Dia Mundial do AVC - Uma das maiores causas de morte e incapacidade em Portugal

Hoje, dia 29 de outubro, assinala-se o Dia Mundial do AVC (acidente vascular cerebral), “sigla” que nos remete para uma das principais causas de morte e incapacidade em Portugal.


O AVC é a sigla utilizada para referenciar o chamado Acidente Vascular Cerebral que, no geral, todos conhecemos porque, ou ouvimos falar ou conhecemos alguém que teve ou está a viver essa condição no momento.

O medo do AVC impõe-se pelos números quando, a OMS (Organização Mundial de Saúde) refere que no mundo, a cada seis segundos resulta na morte de uma pessoa.

Tal como refere o Professor Raad Shakir, Presidente da World Federation of Neurology, “O acidente vascular cerebral é a epidemia do século XXI”.

Um AVC resulta de uma disfunção vascular num determinado território de irrigação sanguínea do cérebro, em que há uma interrupção da circulação sanguínea cerebral, dando origem a necrose celular e a um consequente défice neurológico, que se carateriza por perda rápida de função com um impacto significativo a nível funcional, cognitivo e social da pessoa, com implicações na dinâmica familiar. 

 Afeta ambos os sexos e, contrariamente ao que antes se defendia, não se trata duma patologia que apenas afeta indivíduos em idades mais tardias, surge também nas mais precoces e tendencialmente a aumentar em população jovem nos últimos anos com repercussões importantes tanto a nível individual como na sociedade.

Estas podem influenciar significativamente a sua independência e estilo de vida, pois a pessoa, antes independente, pode tornar-se, de um momento para outro, totalmente dependente física e financeiramente dos seus cuidadores/familiares ou de instituições de apoio.

A ocorrência súbita de um AVC e a mudança dramática no desempenho e feedback motor, sensorial, visual e percetivo podem deixar a pessoa confusa, desorientada, irada e temerosa, uma vez que não existe tempo para o ajustamento gradual à incapacidade resultante, sendo os ajustamentos psicossociais na pessoa com sequelas de AVC inerentes à incapacidade, juntamente com as características emocionais determinantes para a sua recuperação.

Muitas destas alterações podem ser tratadas de modo a conseguir a recuperação completa ou parcial, dependendo da intensidade da lesão.

Ainda, apesar de um terço dos doentes com AVC poderem não ficar com sequelas da lesão, é importantíssimo que sejam controlados os fatores de risco a fim de evitar que se repita.

Trata-se de uma doença neurológica incapacitante e a sua recuperação depende diretamente do “tempo” e “tipo” do socorro prestado.

Atualmente pode dizer-se que o AVC é prevenível e tratável, sendo por isso, fundamental a sua prevenção através da adoção de estilos de vida saudável e da educação para a saúde.

  • Previne-se corrigindo os fatores de risco, isto é, para evitar um novo acidente terá que tratar as causas que deram origem ao primeiro, o que passa por medidas terapêuticas medicamentosas e de mudança de comportamento no estilo de vida.
  • Trata-se reconhecendo os seus sintomas, para que se considere uma emergência e com vias de acesso a cuidados de saúde específicas e diferenciadas, sendo exemplo disso a “via verde do AVC”.

Neste âmbito, é crucial que a população conheça não só os fatores de risco para este tipo de acidente (hipertensão arterial, doenças cardíacas, colesterol elevado, hábitos tabágicos, diabetes, sedentarismo, etc…), como também os principais sinais e sintomas do AVC (formigueiro da cara ou de um membro, dificuldade em falar, falta de força num braço ou numa perna, dificuldade em engolir, boca «ao lado», alteração da visão, alteração da memória) para que possa atuar o mais rápido possível, contactando a linha de emergência.

Os défices neurológicos que se vão refletir em todo o corpo (uni ou bilateralmente), como resultado da localização e extensão da lesão a nível cerebral e cuja área afetada e grau de severidade da lesão determinam as sequelas resultantes que condicionam o desempenho ocupacional do Ser Humano, sendo necessário compreender o comprometimento motor, sensorial, cognitivo e social, segundo uma perspetiva funcional.

A pessoa com AVC pode assim, ter múltiplas manifestações clínicas e sequelas pelo que o seu tratamento requer a intervenção de diversos profissionais de saúde.

Neste dia, por se constituir   uma importante  causa de morte e de incapacidade em Portugal, resultando em incapacidade funcional e dependência,  os TSDT (Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica), na qualidade de profissionais de saúde, envolvidos no diagnóstico e no tratamento do AVC, consideram que se deve constituir uma oportunidade para refletir e sensibilizar a população em geral da sua caracterização, modo de prevenção, atitude a tomar no caso de seu aparecimento o que subentende o seu reconhecimento e de como proceder para evitar que se repita.

A pessoa com AVC, em algum momento do seu processo de doença, é alvo ou beneficia de atos e ou práticas da maioria dos profissionais que integram os TSDT. Seja com o objetivo da promoção da sua saúde, da prevenção, do diagnóstico, do tratamento, da reabilitação e da reinserção.

Entre estes e pela importância da reabilitação nesta condição de saúde tão incapacitante, destacam-se as Terapias na área da reabilitação: Fisioterapia, Terapia da Fala e Terapia Ocupacional, com abordagens terapêuticas baseadas em modelos, cujos procedimentos são suportados por “técnicas e/ou atividades” de forma a minimizar o défice nas componentes sensoriais, motoras, percetivas, cognitivas e emocionais da pessoa com AVC.

Considera-se assim que reabilitação opera dentro dum processo de capacitação-incapacitação para minimizar a limitação funcional residual pelas alterações na função cerebral, induzidas pelos tratamentos de reabilitação motora após lesão cerebral.

As evidências cientificas demonstram que, pela capacidade que o sistema nervoso central (SNC) possui, pela sua grande habilidade de adaptação e alteração, descrito como “fenómeno da neuroplasticidade”, é de extrema importância  intervir precocemente na fase aguda e ao longo de todo o seu processo de reabilitação, em contexto hospitalar, cuidados continuados, domicílio, envolvendo e apoiando também os prestadores de cuidados formais e informais, no processo de reaprendizagem das novas capacidades, assim como nas suas atividades de vida diárias.

Assim, através de uma abordagem pragmática e baseada na ciência, a reabilitação procura produzir benefícios significativos para os utentes, para as famílias e seus prestadores de cuidados de saúde. Isto é:

  • Ocupa-se com a contenção ou limitação da perturbação funcional ou com a sua redução ou eliminação.
  • Ocupa-se com a otimização do desempenho funcional face a uma perturbação.
  • Ocupa-se em fornecer estratégias ao indivíduo afetado nos afazeres da sociedade e da vida quotidiana num nível ótimo proporcional ao estado da sua incapacidade.

É importante reconhecer, que a reabilitação para autocuidado e independência funcional, constitui mais que um exercício intra-institucional ou uma base para documentação da efetividade do programa de reabilitação, sendo que, o resultado final do treino para independência funcional é o uso deste conhecimento e destas técnicas pelos utentes, na sua casa ou no domicílio pós-alta.

Contudo, as características próprias do utente, no que se refere a aspetos como a sua idade, fase da vida e nível de incapacidade, como também as características do seu ambiente físico, social e cultural, são fatores a considerar como orientadores do processo de intervenção.

Importa assim, alertar e sensibilizar a população que quando se sofre alguma incapacidade, há uma modificação imediata no potencial de comportamento ou no repertório de respostas.

Logo, a incapacidade influencia o que é necessário fazer bem como aquilo que pode ser feito.

Por isso, NÃO DESISTIR.

PROCURAR AJUDA/ORIENTAÇÃO, ajuda a definir as suas METAS e NECESSIDADES!

Assunção Nogueira

Terapeuta Ocupacional

STSS

Sindicato dos Técnicos Superiores de Saúde nas Áreas de Diagnóstico e Terapêutica

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